Publicado por: Zailda Coirano | 23 Fevereiro 2009

Casar com padre pode?

Você se casaria com um padre?

Você se casaria com um padre?

A Rede Globo está reprisando a novela Mulheres Apaixonadas, que na época de sua primeira exibição deu o que falar porque mostrava relacionamentos e comportamentos considerados “tabu” pela sociedade de modo geral, sendo um deles o da moça rica que sempre teve tudo o que queria e que não sossega enquanto não conquista o amor do homem que escolheu, sem se incomodar com o fato de que ele é um padre.

Conheci um casal formado dessa forma, ele era padre e ela filha-de-Maria, deixaram a igreja para casarem-se. Apesar dos anos de união não me parecia que se sentissem confortáveis na situação, já que o assunto não podia sequer ser mencionado sem causar um certo mal-estar.

Casamentos de padres não são vistos com bons olhos pela sociedade, naturalmente que alguém que fez voto de castidade para toda a vida e muda de idéia no meio do caminho desperta certa desconfiança, creio que as pessoas se sentiriam à vontade se todos os padres fossem eunucos, por exemplo. O fato de que em algum momento o desejo de viver com alguém constituindo uma família ter falado mais alto que a jura de afastar-se da carne por toda a vida faz com que olhem com desconfiança a todos os padres. Quem pode garantir que a qualquer momento alguma coisa não vá despertar nele os desejos da carne?

Antes de serem padres eles são seres humanos e a necessidade de ter uma família ou alguém para si não se anula pelo simples fato de alguém ter decidido assim, e não se trata aqui de defender ou atacar, ou de fazer a apologia do casamento dos padres. Em primeiro lugar, como ex-católica que sou, nunca vi muito sentido no fato de terem que abdicar de uma vida “normal” para servir a Deus, da mesma forma que não vi motivos para deixar de lado meus brincos e anéis para tornar-me uma serva de Deus perante a igreja Cristã do Brasil, ou parar de tomar café e fumar para ser uma fiel da igreja Mórmon, portanto não segui nenhuma das duas religiões.

Nem sei o que me causa mais espanto, se é o fato de verem com tanta reserva o casamento de um ex-padre (que segundo a igreja não existe, todos são ordenados padres até o final da vida), ou de alguém sujeitar-se a seguir dogmas nos quais não acredita.

De qualquer forma, como não estou aqui para julgar ninguém e cada um sabe do que está ou não disposto a abrir mão em determinado momento da vida por uma vocação, aqui fica a pergunta: “Você se casaria com um padre?”

Publicado por: Zailda Coirano | 20 Fevereiro 2009

Polícia Militar usa pistolas elétricas no carnaval em Salvador

A PM substitui as armas de fogo por pistolas elétricas no carnaval em Salvador

A PM substitui as armas de fogo por pistolas elétricas no carnaval em Salvador

A Polícia Militar vai usar pistolas elétricas para imobilizar infratores durante o carnaval de Salvador. No total, 200 pistolas serão utilizadas pela PM.

“São armas não-letais, que vão ser usadas pela PM. Elas dão uma descarga elétrica que apenas imobiliza a pessoa, não prejudica a saúde de ninguém, não ferem nem matam”, disse o delegado-chefe da Polícia Civil na Bahia, Joselito Bispo da Silva.

Entretanto, dependendo da intensidade da descarga e das condições físicas da pessoa a descarga pode causar sérios problemas e – há controvérsias quanto a isso – poderia mesmo causar a morte, nos casos de pessoas com problemas cardíacos ou que usem aparelhos como marcapasso, por exemplo.

Seriam essas pistolas um fator que viria a reduzir o número de mortes causadas por erros de policiais inexperientes? Ao mesmo tempo isso não colocaria os policiais em posição de desvantagem, já que os bandidos continuariam usando armas com balas de verdade?

Em sua opinião, a polícia militar deveria ou não abolir o uso das armas de fogo e usar apenas pistolas elétricas? Ou as pistolas poderiam ser usadas apenas em alguns procedimentos (trânsito, segurança de estádios, etc)?

Leia também: Retrospectiva 2008 – Polícia

Publicado por: Zailda Coirano | 19 Fevereiro 2009

Direitos do consumidor

O que são os direitos do consumidor? Do ponto-de-vista do consumidor, são aqueles que as empresas idôneas procuram respeitar e que as empresas nem tão idôneas fazem de tudo para burlar. A priori, o consumidor entende isso muito bem, uma empresa prestadora de serviço que simplesmente presta o serviço que foi contratada para prestar, da forma que foi combinado e sem infringir nenhuma norma que protege o direito do consumidor é uma empresa idônea.

Infelizmente as empresas 100% idôneas ou que o são sem sombra de dúvida estão a cada dia mais raras. Por mais famosa que seja uma empresa e por mais peso que tenha o nome que ela carrega e que supostamente tem a zelar, aparentemente quando se trata de puxar o peixe para a própria sardinha, mesmo que isso signifique lesar o consumidor de alguma maneira, a maioria delas não hesita, e tome multas contratuais abusivas, e tome bloqueios disfarçados de promoções, e tome conversa fiada na hora de reclamar. Tudo enrolação.

Hoje você compra um celular que teoricamente deveria já vir desbloqueado, já que é considerado abusivo tentar obrigar o consumidor a usar esta ou aquela companhia. Mas eles não vêm assim e você depende da boa vontade de sua companhia de telefonia móvel para efetuar o desbloqueio. Mas no Brasil não se pensa lá na frente. Cria-se uma lei segundo a qual toda companhia tem que desbloquear o aparelho e a companhia diz “tudo bem” mas lasca lá uma multa se você pedir o desbloqueio antes de 1 ano. Mas multa por que, hein? Porque eu quero usar o aparelho que eu comprei e paguei (então é MEU) com uma operadora que me oferece mais vantagens ou um serviço melhor que a atual?

A empresa já começa agindo de má fé, pois não seria mais lógico ela tentar oferecer um serviço melhor que a concorrente para prender seu consumidor, em vez de tentar mantê-lo amarrado a ela pela força? Tem companhia que é tão ruim que compensa pagar a tal multa (ilegal) para ver-se livre dela. Mas é mais um abuso pelo qual o consumidor tem que passar para tentar usar um direito que teoricamente é seu, pelo menos é o que está na lei.

A lei que obriga os atendentes a resolverem seu problema em poucos minutos é outra piada, mais desmoralizada que ex-sogra. Você liga e eles continuam te transferindo de um menu para outro até que uma anta atendente com voz de quem repete um texto decorado te atende com descaso. Fica evidente desde o início que ela não está ali para resolver seu problema, foi contratada para botar empecilho em tudo o que você quiser fazer. Se você está com um problema técnico na sua internet, por exemplo, ela vai tentar te convencer de que é normal a internet de 3MG que você contratou (e pela qual paga religiosamente todo mês) oscile entre 1 e 1,6MG. Aí será que a gente pode contra-atacar e dizer que será natural então que o pagamento da fatura de 200 paus que nos enviam todo mês tenha o seu pagamento oscilando entre 80 e 110 reais? Claro que a ameba atendente não vai entender isso porque está na cara que ela cabulou todas as aulas de matemática do curso primário e não sabe regra de três. O interessante é que nenhuma delas vai achar natural que sua internet de 3MG oscile entre 4 e 5,5MG, por exemplo. E você pode ter certeza de que isso nunca vai acontecer.

Além de tentar te provar por A + B que focinho de porco é tomada e que dois mais dois são cinco (ou três, no caso) a atendente ainda vai fazer de tudo para te enganar. Vai agendar testes fantasma que jamais acontecerão. No meu caso ela disse que ia fazer um teste com minha conexão e disse que estava tudo OK. “Tudo OK uma pinóia, está a mesma droga. Se está ok pra você, pra mim não está e quem está pagando sou eu.” E aí eu queria que a gentil mocinha me explicasse como é que ela poderia fazer um teste em minha conexão de lá de onde ela estava se ela não conseguiu nem localizá-la pelo número do contrato que eu passei! Será que ela pensa que eu sou tão idiota quanto ela?

Ainda por cima há uns insatisfeitos na profissão que além das safadezas da companhia nos fazem pagar também por sua incompetência, nos atendem de mal a pior, só faltam nos dizer que os estamos incomodando. ‘Desculpe aí, moça, estar incomodando no sagrado horário do seu trabalho mas é que eu não pude evitar, botaram esse número de telefone aqui na minha fatura para eu ligar se tivesse problemas com a m…. de serviço que a sua companhia (diz que) está prestando.”

Sem querer outro dia descobri um truque que dá certo, da próxima vez use se quiser e comprove. Resolvi virar o feitiço contra o feiticeiro:

- Como é seu nome? Pois é, Tereza. Estou ligando de um celular Nokia cheio de recursos e quero avisar que estou GRAVANDO A LIGAÇÃO.

Pronto. Abre-te sésamo. Como que num passe de mágica a antes displicente agora se transforma numa atendente solícita e que rapidamente me agenda a visita de um técnico. Que constata um defeito na b…. do equipamento que me forneceram e que precisa ser trocado. Felizmente, sem ônus para mim.

Segundo meu filho, a falha pode não ser da companhia, pode ser do computador. E o que é que eu tenho com isso? Não quero nem saber, não sou técnica de informática nem me exigiram conhecimento prévio ou avançado de computação para me habilitar a pagar uma fatura descaradamente salgada para a porcaria do serviço que oferecem. Então eu não quero nem saber, o técnico tem que vir à minha casa de qualquer forma. Se a falha for no MEU equipamento eu mando consertar. Mas depois vou testar de novo, se não estiver 100% eu vou ligar de novo e vou querer ressarcimento pelo que eu gastei com meu equipamento que levou injustamente a culpa pela falha no serviço deles lá.

Como consumidor seja chato, insista, questione. Quando disserem que vão fazer um teste de não-sei-o-que (quanto mais complicado o nome, maior a chance de ser um nome fictício de algo que não existe e portanto não será feito) não acredite. Exija que corrijam o problema, ameace procurar a defesa do consumidor, o fórum, a delegacia, pergunte o nome completo do atendente, diga que vai denunciá-lo por mau atendimento, faça pressão. Não deixe pra lá porque não tem tempo ou não tem saco, as empresas criam todo tipo de enrolação para que você perca a paciência e deixe-as tranquilamente enganando os trouxas (que no caso somos nós). Diga que vai à TV, que vai organizar um piquete, uma greve, sei lá. Diga que é advogado, que é juiz, que é promotor. Engane-os também.

Da próxima vez que lhe disserem que vão fazer um teste de lá mesmo, diga que vai fazer um teste de QI no atendente, ou que vai fazer um teste com o bafômetro, ou qualquer outra idiotice equivalente à que ela tenta fazer com que você engula. Exija seus direitos mesmo porque você está pagando bem caro por eles.

Vivemos hoje a era da internet, quem domina os recursos da web pode conseguir maravilhas que antes nem eram sequer imaginadas. Com uma boa rede de amigos e/ou colaboradores você vai longe, já que o trabalho em grupo sempre consegue melhores resultados. Longe de usar a internet como lazer, que tal fazer dela um aliado em sua vida? Quer saber como? Aí vão algumas sugestões:

Redes

Além das redes já existentes, como Facebook, MySpace, Octopop e outras, das quais você pode tirar partido mantendo-se em contato com um certo grupo de amigos, você pode criar sua própria rede com seus alunos, colegas de classe, colegas de profissão, etc. Um bom lugar para criar sua “social network” é o Ning. Além de conectar-se com seus amigos, parceiros, colegas de trabalho, etc, vocês terão à disposição um fórum, blog, painel de eventos, aniversários, fotos, vídeos, música e muito mais. Há dezenas de recursos para compartilhar com sua rede, que pode ser aberta (qualquer um pode entrar) ou fechada (só entram os membros com convite).

Fóruns

Os fóruns são ótimos para quem precisa de respostas para questões complicadas, ou quer fazer uma monografia e precisa fazer uma pesquisa, ou… você é quem decide. Você pode criar um muito fácil de usar e de acessar no Forumeiros, e depois enviar convites para seus amigos / parceiros / colaboradores / clientes. É um local excelente para uma empresa lançar um produto, ou fazer uma sondagem antes, ou de explicar como é seu funcionamento, ou qualquer outra coisa que se queira fazer. Use sua imaginação.

Blogs

Muitas empresas hoje têm blogs porque são mais ágeis, você pode adicionar informação todos os dias e manter clientes sempre em dia com o que está acontecendo em sua empresa. Ou ainda pode ter um blog para seus funcionários, se forem muitos. Ou para seus colegas de profissão. Ou para o público em geral. Pode também fazer um blog para expor seu currículo, também muito valorizado hoje em dia. Um escritor pode ter um blog onde exponha sua obra ou parte dela, ou ainda um blog para vender seus livros.

Twitter

A nova mania americana vai aos poucos contagiando os brasileiros. Ótima forma de manter-se em contato com seus amigos, clientes e colegas de profissão, de saber as novidades em sua área, de mostrar os produtos de sua empresa. A comunicação no Twitter é ágil e em minutos muita gente manda seu recado. E o retorno é garantido, já comprovei aqui mesmo no blog, as visitas aumentaram depois que me conectei por lá.

Orkut

A febre nacional pode ter muitos problemas mas ainda é o site de relacionamento mais acessado pelos brasileiros. Você pode criar uma comunidade para seu grupo ou empresa, conectar-se a amigos e clientes, ou ainda entrar em comunidades de sua área e ficar por dentro de tudo. Também pode trocar idéias com outros profissionais e dar uma arejada nas suas.

MSN

Nem de só de papo-furado e miguxês vive o msn. Empresas que liberaram o uso do msn no escritório e conectaram-se a seus clientes no mínimo reduziram suas contas de telefone. É muito mais fácil comunicar-se com seus clientes e fornecedores via msn que via telefone e a cada dia mais cresce o número de empresas que o usam de maneira profissional.

A internet pode oferecer muito mais recursos, a visão de que só existem predadores, tarados e hackers na internet é um preconceito que não leva a nada. Assim como nos expomos diariamente a pegar um vírus ou sermos assaltados ou atacados por um tarado quando vamos para o serviço – e nem por isso deixamos de ir trabalhar – a navegação na internet tem riscos como tudo na vida, mas seus benefícios quando bem usada são imensos.

Leia também: Retrospectiva 2008 – Tecnologia

Publicado por: Zailda Coirano | 12 Fevereiro 2009

Profissionalização do detento

Para que alguém que um dia tenha recorrido ao crime consiga sair da cadeia e participar da sociedade precisa sair da cadeia com uma profissão. Não adianta passar lá alguns anos e sair pior do que entrou, além dos vícios que já tinha com mais alguns que aprendeu na cadeia.Em vez de escolar o detento na arte do crime, melhor faria o sistema prisonal se o adequasse para viver quando estivesse fora das grades.

Quando sai o ex-detento é discriminado por já ter cumprido pena e tem que reiniciar sua vida profissional não do zero, mas do 1.000 negativo. Se antes recorreu ao crime porque não tinha oportunidades, as chances são de 10 contra 1 de que ele acabará voltando a fazer isso por pura falta de opção.

Infelizmente o Estado mostra-se incapaz de dar uma educação decente até para as crianças que ainda estão nos bancos escolares, que se diria então de sua preocupação com a educação do detento? Se o descaso para com a educação tradicional já é uma realidade, a lacuna na educação dentro dos presídios salta aos olhos.

Educar e dar uma profissão deveriam ser as primeiras preocupações do Estado para reabilitar os membros da sociedade que um dia foram considerados inaptos para fazerem parte dela. Se não forem reintegrados à mesma assim que saírem da cadeia, muito em breve voltarão para o crime.

Leia também: A impunidade favorece o crime

Publicado por: Zailda Coirano | 11 Fevereiro 2009

Prisão agrícola

Uma vez um rapaz bateu à porta de minha casa à 1 da manhã para pedir um prato de comida. Meu marido disse a ele que não havia comida àquela hora e que fosse embora, e começaram a discutir. Num dado momento meu marido ameaçou-o dizendo que se não fosse embora chamaria a polícia.

Sua resposta deixou meu marido indignado, mas traduzia mais ou menos o que muitos presos pensam:

- Pode chamar, cadeia pra mim é hotel.

Assim como ele, muitos que lá estão não se incomodam em perder sua liberdade porque têm casa, comida e não precisam trabalhar nem pagar aluguel. Quem recorreu à vida criminosa dificilmente é alguém que goste de trabalhar e que sinta vergonha de lá estar. Muitos encaram o fato de estarem na cadeia como uma fase natural e passageira da vida, sem a menor importância.

O fato de estarem lá dentro não os faz pensar, já que sentem-se confortáveis. Lá dentro respeitam as leis da prisão mas quando saem a primeira coisa que fazem é desrespeitar as leis da sociedade. E respeitam as leis da prisão porque se não o fizerem sabem que o resultado não será nada confortável.

Acredito que o fato puro e simples de ficarem presos durante algum tempo não irá ressocializar a maioria deles, que voltarão ao crime assim que se virem novamente em liberdade. Creio que para haver uma total reabilitação o detento precisa de uma profissão e de sentir o prazer de ganhar seu próprio sustento sem ser de forma ilegal e sem ter que viver à margem da sociedade.

Também a prisão tem que ser um lugar para onde não queiram voltar. Já disse aqui que dentro da prisão a escola teria que ser obrigatória e suas penas não serem contadas em anos, mas em estágios dentro da escola. Também já disse que depois de preso a ficha criminal só poderia ser acessada pela polícia e Poder Judiciário, para a sociedade de modo geral ela apareceria limpa, uma vez que já pagou pelo que fez. Dessa forma ficaria realmente livre o detento para voltar a trabalhar sem ser discriminado por um dia ter cumprido pena.

Dentro da cadeia teria que trabalhar, e defendo uma prisão agrícola onde mesmo o detento com curso superior teria que dedicar no mínimo 8 horas de seu dia à lavoura e apresentar produção. Dessa forma poderiam produzir seu próprio sustento, e comeriam só o que produzissem, o que excedesse seria vendido a baixos preços na comunidade, para pessoas de baixa renda.

Imagino que dessa forma o detento sairia de lá não 100% reformado mas pelo menos com uma boa chance de ter também a opção de uma vida dentro da lei.

Leia também: A penitenciária-escola

Publicado por: Zailda Coirano | 30 Janeiro 2009

As 10 maiores cagadas do mundo em 2008

Essa é ótima, lá no blog Capinaremos, leia e confira!

Capinaremos – as 10 maiores cagadas do mundo

Publicado por: Zailda Coirano | 29 Janeiro 2009

Errando e aprendendo

Uma forma dolorosa mas eficiente de aprender é analisando os próprios erros, vendo em que ponto falhamos e procurando não repetir o que não surtiu o efeito desejado no passado.

Infelizmente a máxima só vale para o cidadão comum, para o governo por exemplo, a máxima nem existe. Estruturas e fórmulas que não dão certo há anos ou décadas são utilizadas até que são substituídas por outra que podem induzir a erro maior.

Para sanar problemas na Educação foi criada a tal da ‘progressão continuada’ segundo a qual o aluno do ensino básico não era reprovado, independente do seu resultado no ano escolar. Criou-se a partir de então uma geração toda de alunos que saem da escola sem o mínimo de aprendizado ou cultura, totalmente inaptos para seguirem uma profissão.

Se o aluno tinha problemas para assimilar o que ensinávamos, vamos então diminuir nossa expectativa, deve ter pensado o governo, e assim nivelamos por baixo. Agora qualquer semi-analfabeto pode concluir o ensino fundamental e não fará o menor esforço para aprender, já que aprender não é exigência para se conseguir o diploma.

O governo por um lado condiciona todos os concursos à exigência mínima de diploma de segundo grau – o que seria maravilhoso – mas não condiciona a obtenção desse diploma ao aprendizado de absolutamente nada pelos alunos. Um anacronismo de difícil explicação e de lógica tortuosa que nos deixa sem saber o que quer o governo: um país de alunos formados ou um país de analfabetos diplomados.

Publicado por: Zailda Coirano | 28 Janeiro 2009

Mulheres espancadas

Outro dia vi uma estatística na TV que me deixou estarrecida: 75% das mulheres que são ameaçadas por ex-maridos, companheiros e namorados são realmente mortas por eles.

Não se contentam eles em apenas espancá-las, e abusar delas física, emocional, moral e psicologicamente, quando se cansam de tanta violência e as juram de morte estão falando a verdade, pretendem de fato exterminá-las.

A Justiça diz que quase nada pode fazer nesses casos, além do boletim de ocorrência e de entrar com uma ação contra o agressor, porém nada disso impede que 75 entre 100 cumpram a ameaça. E muitos permanecem impunes mesmo depois disso.

É irônico que o Brasil, com tantas delegacias da mulher e com tanta propaganda sobre o assunto possa fazer tão pouco para proteger as mulheres dos infames que se julgam com poder de vida e morte sobre elas – e infelizmente esse poder é real.

Se alguém mata a mãe é matricídio e é um crime com uma pena maior do que se fosse um homicídio qualquer. Matar a companheira, a mãe de seus filhos, devia também ser considerado um crime maior, crime hediondo e com motivo fútil, sem atenuantes, para que o criminoso apodrecesse 30 anos na cadeia.

Se matamos uma capivara é crime inafiançável porque a espécie é protegida por estar em extinção, mas quem vai proteger as mulheres?

Publicado por: Zailda Coirano | 27 Janeiro 2009

Indulto de natal

Uma das coisas que eu não entendo é porque todo ano tantos presos são liberados no natal, sendo que em vez de aproveitar para passar o natal com a família, uma grande parcela deles aproveita para voltar à vida criminosa e nem retorna à prisão.

Eu morava até poucos anos atrás numa pacata cidadezinha com 10.000 habitantes, só que havia 2 presídios lá. Uma amiga de minha filha voltou a morar lá depois de morar vários anos em São Paulo, com fama de ser tão perigosa.

Pois por uma ironia do destino, um grupo de detentos que havia saído no indulto de natal não só roubou seu carro como também a agrediu, e só foi pego 40 km  e dois assaltos depois. Tantos anos morando em São Paulo e nada lhe havia acontecido, foi acontecer numa cidadezinha pacata do interior.

Creio que os critérios para que os detentos pudessem usufruir dessa regalia deveriam ser mais rigorosos para evitar que a população ficasse à mercê de mais esses bandidos, que deveriam estar atrás das grades ou passando o natal com a família, e não engrossando as fileiras de marginais a colocarem em risco a integridade do cidadão comum.

As normas poderiam ser revistas, tendo em vista que tudo está bem no papel mas na prática o que se constata a cada ano é o aumento da criminalidade na época de final de ano. Exames e avaliações psicológicas deveriam ser feitas para se constatar que o detento está mesmo apto a sair sem colocar em risco seus semelhantes.

Que seja um direito de alguns detentos passar o natal em paz com a família, desde que esse direito não prive os cidadãos comuns de também terem um natal só de amor e paz.

Leia também:

O trabalho como agente reintegrador

A ficha criminal

A penitenciária-escola

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