Ah, se não fossem as mulheres…

O Brasil fez uma campanha sofrível em Pequim, mas as mulheres se destacaram, ganhando medalhas de ouro, prata e bronze para o país. Se não fossem as mulheres, a campanha seria no mínimo vergonhosa. Temos que nos curvar à força de vontade e perseverança daquelas que num país onde o esporte é relegado a um segundo ou terceiro plano e onde o atleta tem que se virar para conseguir o que quer, à custa de muita luta elas chegaram lá.

Além de o atleta de modo geral ser classificado pela sociedade como “vagabundo que não quer trabalhar” e não ter a mínima assistência por parte do governo, a mulher atleta então, coitada… nem é bom falar. Tem que matar um leão e mais uma manada de búfalos para conseguir seu lugar ao sol. E não é que elas levaram isso ao pé da letra e foram até lá, viram e venceram, contra tudo e contra todos?

Muitas têm histórias incríveis pra contar, dignas até de um livro que certamente se tornaria best-seller em poucas semanas, cada uma à sua maneira tem uma história de vida cheia de momentos de superação e renúncia. E apesar de tudo o que tiveram que passar, elevaram o nome do país ao pódio olímpico, e ainda se emocionaram com isso, acho que a maior emoção foi mesmo a de pagar com ouro o pouco caso com que foram tratadas quando tinham apenas um sonho de um dia chegar ao pódio olímpico.

O esforço e o sofrimento foram recompensados e hoje, se o Brasil não tem um rendimento bom, sem elas seria bem pior.

(zailda coirano)

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Cesar Cielo Jr – de Santa Bárbara para o mundo

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De Santa Bárbara D’Oeste (interior de São Paulo) saiu a medalha de ouro na natação. Foi uma grande emoção ver o paulista chegar em primeiro lugar. Mas sua trajetória me faz pensar.

Para ganhar essa medalha ele teve que abrir mão de muitas coisas, e a primeira foi a família, pois passou 3 anos nos Estados Unidos treinando. Imagino que um país tão grande e tão cheio de recursos como o nosso deveria dar suporte a seus atletas mas isso não acontece.

No Brasil o esporte é relegado a segundo plano e só lembramos que existe quando começam a anunciar as Olimpíadas. Muitos atletas (com grande potencial) tiveram que abrir mão de seus sonhos por falta de patrocínio. Em outros países usa-se o esporte para afastar os jovens das ruas e promover uma vida mais saudável, aqui para se praticar um esporte é necessário matar um leão por dia.

Histórias como a do campeão de maratona que correu descalço porque não tinha dinheiro para comprar um tênis são comuns. Se verbas há, são destinadas a outras áreas. Não se paga para que o esportista se dedique e consiga um dia brilhar e fazer o país se alegrar com ele.

Um país tão grande deve ter muitos atletas em potencial, mas permanecerão assim, só no potencial. Porque muitos deles terão que desistir por falta de verba. Porque terão que trabalhar para ganhar o pão e esquecer os sonhos de medalhas. Alguns talvez até entrem para o crime, quem sabe?

Bem, mas a hora é de alegria. Pelo menos UM BRASILEIRO conseguiu aperfeiçoar-se em seu esporte, e hoje é dia de comemorar. Parabéns ao brasileiro que nos deu essa medalha de ouro. Parabéns, Cielo. Nota dez para você. E zero para nossos governantes.

(zailda coirano)

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