Mulheres espancadas

Outro dia vi uma estatística na TV que me deixou estarrecida: 75% das mulheres que são ameaçadas por ex-maridos, companheiros e namorados são realmente mortas por eles.

Não se contentam eles em apenas espancá-las, e abusar delas física, emocional, moral e psicologicamente, quando se cansam de tanta violência e as juram de morte estão falando a verdade, pretendem de fato exterminá-las.

A Justiça diz que quase nada pode fazer nesses casos, além do boletim de ocorrência e de entrar com uma ação contra o agressor, porém nada disso impede que 75 entre 100 cumpram a ameaça. E muitos permanecem impunes mesmo depois disso.

É irônico que o Brasil, com tantas delegacias da mulher e com tanta propaganda sobre o assunto possa fazer tão pouco para proteger as mulheres dos infames que se julgam com poder de vida e morte sobre elas – e infelizmente esse poder é real.

Se alguém mata a mãe é matricídio e é um crime com uma pena maior do que se fosse um homicídio qualquer. Matar a companheira, a mãe de seus filhos, devia também ser considerado um crime maior, crime hediondo e com motivo fútil, sem atenuantes, para que o criminoso apodrecesse 30 anos na cadeia.

Se matamos uma capivara é crime inafiançável porque a espécie é protegida por estar em extinção, mas quem vai proteger as mulheres?

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Mitos sobre a dona-de-casa

Hoje as mulheres ditas 'emancipadas' torcem o nariz para as 'fadas do lar'.

Hoje as mulheres ditas 'emancipadas' torcem o nariz para as 'fadas do lar'.

Depois da Beth Friedam ser dona-de-casa virou crime inafiançável, as liberadas de carteirinha dão uma bela torcida de nariz para as ‘fadas do lar’. Eu própria, que fiquei desempregada 4 meses em minha vida, ao preencher um formulário para a matrícula de meu filho numa escola senti-me desconfortável quando me perguntaram minha profissão, mas como digo a verdade doa a quem doer (no caso doeu mais em mim) disse ‘prendas domésticas’, ou ‘do lar’.

Já estava até me acostumando ao novo ‘status’ mas voltei a trabalhar e nunca mais fui ‘fada do lar’. Mas reconheço que as donas-de-casa são discriminadas agora pelas mais moderninhas, uma autêntica inversão de valores. Se até 30 anos atrás as que saiam para ganhar o sustento fora do lar eram taxadas no mínimo de ‘perdidas’ hoje a que fica em casa é que sofre a discriminação.

Ser dona-de-casa não é sinônimo de alienação

Quem pensa que todas as donas-de-casa são alienadas que vivem em seu mundinho de tortas e roupas para lavar está enganado, eu já tive amigas ‘do lar’ que eram super-antenadas e que discutiam qualquer assunto com muito mais propriedade que qualquer macho de escritório que conheço. Criatividade, inteligência, cultura e informação não são privilégio das profissionais. Estar em casa não significa estar isolado em casa. E conheço também muita mulher que trabalha fora que só conhece do mundo exterior a sua mesa de trabalho – e olhe lá!

Dona-de-casa não precisa ser gorda e feia

Cuidar-se não é só para quem trabalha, e não é o fato de ficar em casa que faz com que a mulher perca a vaidade ou que deixe de gostar de si mesma. Muitas optam por ficar em casa para ser mães em tempo integral e sentem-se satisfeitas e recompensadas por isso. Tiro meu chapéu para quem tem a coragem de interromper a carreira para criar os filhos, eu não tive tanta coragem assim, segui trabalhando e criando os filhos do jeito que Deus era servido. Não me arrependo, mas reconheço que poderia ter sido uma mãe melhor. Mas imagino que se tivesse parado iria achar ao retomar meu trabalho que poderia ter crescido mais na profissão se não tivesse parado. Vai saber… toda opção envolve perdas e ganhos e cada uma sabe onde o calo dói mais.

Dona-de-casa não trabalha

Muitos maridos pensam que a mulher fica em casa o dia inteiro sem fazer nada, eu que estou de férias é que sei… Fique um dia sem fazer nada e quando seu marido chegar e encontrar a casa de pernas para o ar, a roupa por lavar, e necas de janta, se ele se mostrar surpreso e perguntar se passou um tsunami pela sua casa, responda simplesmente:

– Não, querido. Fiquei fazendo o que você acha que eu faço o dia inteiro: nada.

A coisa mais chata sobre o serviço doméstico é que ele só aparece se você não fizer. Todos na casa acham natural que a roupa esteja lavada, passada e na gaveta, que a comida esteja pronta e a casa limpa e arrumada. Acho que imaginam que a roupa cresceu passada dentro da gaveta e que o natural da casa é ficar limpa, mas ninguém vê que alguém teve que ralar o dia todo para que as coisas estivessem assim.

Quando me perguntam qual meu serviço favorito na casa (se é que existe esse negócio de ‘serviço favorito’) respondo que é lavar roupa, porque quando você lava e coloca no varal, pelo menos até a roupa secar dá pra ver que você a lavou. Quando você passa ela some das vistas de todo mundo, então ninguém nota.

Suporte técnico

Encaro a dona-de-casa como o suporte do resto da família, porque se ela não ficasse em casa desempenhando suas funções a vida de todo mundo na casa ia ficar muito mais complicada. E como é que os homens iam fazer pra trabalhar e criar os filhos? Então eu tiro meu chapéu pra elas porque são um símbolo vivo de que doar-se é uma das formas mais bonitas de amar. Mas que doar-se não significa ficar burra nem feia.

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