Casar com padre pode?

Você se casaria com um padre?

Você se casaria com um padre?

A Rede Globo está reprisando a novela Mulheres Apaixonadas, que na época de sua primeira exibição deu o que falar porque mostrava relacionamentos e comportamentos considerados “tabu” pela sociedade de modo geral, sendo um deles o da moça rica que sempre teve tudo o que queria e que não sossega enquanto não conquista o amor do homem que escolheu, sem se incomodar com o fato de que ele é um padre.

Conheci um casal formado dessa forma, ele era padre e ela filha-de-Maria, deixaram a igreja para casarem-se. Apesar dos anos de união não me parecia que se sentissem confortáveis na situação, já que o assunto não podia sequer ser mencionado sem causar um certo mal-estar.

Casamentos de padres não são vistos com bons olhos pela sociedade, naturalmente que alguém que fez voto de castidade para toda a vida e muda de idéia no meio do caminho desperta certa desconfiança, creio que as pessoas se sentiriam à vontade se todos os padres fossem eunucos, por exemplo. O fato de que em algum momento o desejo de viver com alguém constituindo uma família ter falado mais alto que a jura de afastar-se da carne por toda a vida faz com que olhem com desconfiança a todos os padres. Quem pode garantir que a qualquer momento alguma coisa não vá despertar nele os desejos da carne?

Antes de serem padres eles são seres humanos e a necessidade de ter uma família ou alguém para si não se anula pelo simples fato de alguém ter decidido assim, e não se trata aqui de defender ou atacar, ou de fazer a apologia do casamento dos padres. Em primeiro lugar, como ex-católica que sou, nunca vi muito sentido no fato de terem que abdicar de uma vida “normal” para servir a Deus, da mesma forma que não vi motivos para deixar de lado meus brincos e anéis para tornar-me uma serva de Deus perante a igreja Cristã do Brasil, ou parar de tomar café e fumar para ser uma fiel da igreja Mórmon, portanto não segui nenhuma das duas religiões.

Nem sei o que me causa mais espanto, se é o fato de verem com tanta reserva o casamento de um ex-padre (que segundo a igreja não existe, todos são ordenados padres até o final da vida), ou de alguém sujeitar-se a seguir dogmas nos quais não acredita.

De qualquer forma, como não estou aqui para julgar ninguém e cada um sabe do que está ou não disposto a abrir mão em determinado momento da vida por uma vocação, aqui fica a pergunta: “Você se casaria com um padre?”

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Prisão agrícola

Uma vez um rapaz bateu à porta de minha casa à 1 da manhã para pedir um prato de comida. Meu marido disse a ele que não havia comida àquela hora e que fosse embora, e começaram a discutir. Num dado momento meu marido ameaçou-o dizendo que se não fosse embora chamaria a polícia.

Sua resposta deixou meu marido indignado, mas traduzia mais ou menos o que muitos presos pensam:

– Pode chamar, cadeia pra mim é hotel.

Assim como ele, muitos que lá estão não se incomodam em perder sua liberdade porque têm casa, comida e não precisam trabalhar nem pagar aluguel. Quem recorreu à vida criminosa dificilmente é alguém que goste de trabalhar e que sinta vergonha de lá estar. Muitos encaram o fato de estarem na cadeia como uma fase natural e passageira da vida, sem a menor importância.

O fato de estarem lá dentro não os faz pensar, já que sentem-se confortáveis. Lá dentro respeitam as leis da prisão mas quando saem a primeira coisa que fazem é desrespeitar as leis da sociedade. E respeitam as leis da prisão porque se não o fizerem sabem que o resultado não será nada confortável.

Acredito que o fato puro e simples de ficarem presos durante algum tempo não irá ressocializar a maioria deles, que voltarão ao crime assim que se virem novamente em liberdade. Creio que para haver uma total reabilitação o detento precisa de uma profissão e de sentir o prazer de ganhar seu próprio sustento sem ser de forma ilegal e sem ter que viver à margem da sociedade.

Também a prisão tem que ser um lugar para onde não queiram voltar. Já disse aqui que dentro da prisão a escola teria que ser obrigatória e suas penas não serem contadas em anos, mas em estágios dentro da escola. Também já disse que depois de preso a ficha criminal só poderia ser acessada pela polícia e Poder Judiciário, para a sociedade de modo geral ela apareceria limpa, uma vez que já pagou pelo que fez. Dessa forma ficaria realmente livre o detento para voltar a trabalhar sem ser discriminado por um dia ter cumprido pena.

Dentro da cadeia teria que trabalhar, e defendo uma prisão agrícola onde mesmo o detento com curso superior teria que dedicar no mínimo 8 horas de seu dia à lavoura e apresentar produção. Dessa forma poderiam produzir seu próprio sustento, e comeriam só o que produzissem, o que excedesse seria vendido a baixos preços na comunidade, para pessoas de baixa renda.

Imagino que dessa forma o detento sairia de lá não 100% reformado mas pelo menos com uma boa chance de ter também a opção de uma vida dentro da lei.

Leia também: A penitenciária-escola

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