Amigas fúteis

Até as coisas consideradas fúteis podem nos dar muito prazer.

Até as coisas consideradas fúteis podem nos dar muito prazer.

Você tem amigas fúteis? Eu tenho. Não que eu não goste delas ou que elas não gostem de mim, mas é aquele negócio, você está ali falando de sua crise existencial, não sabe se continua nesse empreguinho mixo mesmo ou se vende tudo e vai pra Machu-Pichu ver se recebe umas vibrações extra-terrestres, e quando termina ela lasca:

– Eu quando estou chateada com a vida vou a shopping e pronto!

Ou qualquer bobagem que o valha. Ou então você está falando e ela lá ajeitando a franja, lixando as unhas. Parece que só se preocupa com a aparência, com homens e com a vida dos outros.

Todo mundo tem seus defeitos e limitações, e se você tem uma amiga fútil pode achar que ela não está dando a mínima atenção às suas crises existenciais, mas você está enganada. A amiga fútil também pode ser um ombro amigo se você precisar, ou dar aquela mão na hora do aperto. O que falta a ela em profundidade é compensado em fidelidade, solidariedade e outras virtudes que só as amigas têm.

O fato de você ver o lado prático da vida e ela só se preocupar com coisas que pra você são banais só quer dizer que vocês vêem as coisas de pontos-de-vista diferentes, e isso se às vezes atrapalha também pode ajudar. E dar um passeio no shopping pode não resolver seu problema existencial tão profundo, mas que você vai voltar de lá mais bonita e mais animada, lá isso vai…

Precisamos não só das pessoas que concordam conosco e são iguais a nós mas também das que são diferentes porque tudo na vida para ter equilíbrio precisa de um contraponto. Você tão racional e tão cabeça precisa de uma amiga fútil para de vez em quando se deixar levar e perceber que a vida não é feita só de preocupações e coisas importantes, tem que haver um lugar também para coisas que não levam a nada mas que nos dão prazer.

E quem sabe você também não possa ajudar essa sua amiga fútil a não ser tão fútil assim, não é mesmo? Uma mão lava a outra e com certeza quando ela tiver um problema que exija um pouco mais de profundidade e reflexão, ela irá contar com você.

Amigas fúteis podem irritar mas também resgatam uma parte feminina que às vezes teimamos em sufocar na tentativa de virarmos ‘homens de saias’. Não somos homens e também temos que dar nossos ataques histéricos de vez em quando porque quebramos uma unha, ora essa. E afinal, não devemos levar a vida muito a sério porque sabemos que ninguém irá sair vivo dela.

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Ressentimento

Sua ajuda pode causar ressentimento.

Sua ajuda pode causar ressentimento.

Eu sempre fui amiga do tipo ‘pro que der e vier’ e sempre procurei ajudar meus amigos quando precisaram de mim mas já aos 14 anos me confrontei com uma reação que na época não consegui entender.

Eu tinha uma grande amiga, a Marta (pelo menos eu a considerava assim) que por ser empregada doméstica não tinha condições de comprar roupas para sair. Como eu fazia questão de tê-la comigo, sempre que havia um baile eu lhe emprestava minhas roupas, maquilagem e até pagava para que ela entrasse.

Nunca fui do tipo que ‘dá com uma mão e cobra com a outra’ ou que fica o tempo todo jogando na cara, sempre achei natural ajudar as pessoas e não espero que se sintam gratas ou que fiquem demonstrando sua gratidão o tempo todo. Eu fazia porque gostava dela e da sua companhia.

Claro que éramos também confidentes, portanto ela acompanhou desde o início meu namoro com o João Antonio, desde a paquera até que começamos a namorar. Ela sabia de nossas brigas e principalmente sabia que eu gostava muito dele.

Um belo dia eu briguei com o João Antonio e não sei porque cargas dágua fiquei em casa ‘curtindo fossa’ como se dizia na época. Eu nunca fui de fazer isso mas de vez em quando é até bom, ainda mais na adolescência, os emos que o digam.

Acontece que uma outra amiga da Marta a convidou pra sair nesse dia e acabaram no mesmo lugar que o João Antonio. Eu lá em casa curtindo a maior fossa porque tinha brigado com meu namorado e acredita que ela ficou com ele? E não só ficou, foi lá onde ele estava e ficou no pé dele, se oferecendo até que ele ‘catou’.

No dia seguinte o João Antonio me procurou arrependido e me contou tudo, fomos à casa da Marta tirar isso a limpo porque eu me recusava a acreditar, achando que se tratava de mais uma das canalhices do meu namorado. E não é que ela confirmou?

Não só confirmou, contou tudo com um ar de vitória e de prazer que me arrepiaram! Disse ali na minha cara e na frente do João Antonio que fez pra ver a minha cara, eu a superior que dava os restos para ela!

Eu nunca dera ‘os restos’ para ela e fiquei chocada porque nunca imaginei que ela nutrisse tanto ressentimento por mim quanto eu vi nos seus olhos e senti em suas palavras naquele dia. Está claro que o namoro azedou e a amizade acabou.

Anos mais tarde, já adulta, passei por uma fase difícil e um amigo me ajudou muito, ficamos muito chegados e ele frequentava a nossa casa tornando-se quase alguém da família. Aos poucos eu fui superando meus problemas até que ele precisou de minha ajuda numa fase negra.

Eu o ajudei da mesma forma que ele tinha me ajudado, mas assim que ele começou a superar seus problemas iniciou uma campanha de difamação contra mim! Não contente com isso entrou em casa e furtou alguns objetos dos quais ele sabia que eu precisava. Fiquei inconformada mas acabei entendendo que algumas pessoas, quando são ajudadas, sentem-se inferiores porque na cabeça delas, se você esá em condição de ajudar é porque é superior a elas ou melhor que elas.

Aos poucos elas acabam se revoltanto e se ressentindo com sua ‘superioridade’ e acabam sentindo vontade de te derrubar para que você deixe de ser superior e para que parem de sentir-se inferiores.

Para mim essas pessoas sofrem de complexo de inferioridade e não são nem dignas de ódio, mas sim de pena, porque não conseguem aceitar uma das coisas mais bonitas que pode haver entre dois amigos, que é um poder ajudar o outro quando ele precisa.

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