Se você se sente feia, a cirurgia plástica é a melhor solução?

Nem sempre a cirurgia plástica é a melhor solução.

Nem sempre a cirurgia plástica é a melhor solução.

Eu estou bem, obrigada, e convivo muito bem com as imperfeições que Deus me deu, mas minha vizinha estava já na quinta ou sexta cirurgia plástica quando me mudei e perdi o contato com ela. Ela é daquele tipo de mulher que já foi linda um dia e acostumada a ter um séquito de admiradores, já beirando os 50 via sua beleza indo pelo ralo e começou uma corrida contra o tempo.

Nesse caso ela vai acabar perdendo, claro. O tempo é inexorável e infelizmente a lei da gravidade (maldito Newton!) trabalha contra nós e cedo ou tarde (ou mais tarde ainda, dependendo do número de cirurgias que você está disposta a se submeter e tenha dinheiro para pagar) vamos ter que nos confrontar com o fato de que o que restou foram as virtudes espirituais e morais, e em alguns casos um certo ar de nobreza e até um discreto charme na velhice.

Quando entrar na faca é a melhor saída

É claro que quando alguns ‘defeitos’ –  que podem ser reais ou imaginários, – começam a ocupar nossa mente mais do que deveriam e amargar nossas vidas, se não há como melhorar de outro jeito, entrar na faca parece uma boa solução. Em vez de ficar deixando de usar decotes porque seus seios são muito grandes, pequenos, caídos ou seja lá o que você ache deles, ou de deixar de olhar no espelho por causa do seu nariz, tome coragem e faça a tal cirurgia.

Escolhendo o cirurgião

Tratando-se de uma cirurgia há riscos antes, durante e depois, e ela pode não ter o resultado que você espera, portanto é bom pesar bem tudo isso antes de submeter-se a ela. Também convém escolher bem o médico, obter sempre uma segunda opinião, e antes de decidir se entregar nas mãos dele não custa nada fazer um ‘levantamento’ da vida profissional dele, checando o site do Conselho Regional de Medicina e o da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Afinal de contas ele vai mexer no seu corpo, retirar o que está sobrando ou colocar o que está faltando, portanto deve ser alguém capacitado e acima de qualquer suspeita. Recomendam também no site da SBCP que seja alguém com no mínimo 3 anos de experiência como cirurgião.

Além disso tudo você pode (e deve)  conversar com outras pacientes dele que já se submeteram a cirurgia e saber como foi, se o resultado foi satisfatório e qual foi o tratamento dele no pós-operatório, porque não basta operar e deixar a paciente entregue à própria sorte.

Você pode achar que isso é exagero, mas é melhor pecar por excesso de cuidado que entregar-se nas mãos de um desses charlatães que estão toda semana nos noticiários. Aposto que você quer apenas consertar o que a natureza não fez como você queria e não figurar no noticiário da próxima semana, certo? Então todo cuidado é pouco.

Seja realista

Não adianta você se escudar atrás de um nariz feio a vida inteira, dizendo que é tímida e que nada de bom acontece na sua vida porque seu nariz é grande ou feio. Não acontece porque você não faz acontecer. Digamos que você conserte o nariz. Até aí tudo bem, o nariz ficou do jeitinho que você queria. Só que se você não mudar de atitude nada vai acontecer, porque cirurgia plástica não é milagre. O médico só conserta o nariz ou o que você pediu, não elimina timidez, não arranja namorado nem faz o chefe te respeitar. Portanto não espere uma ‘mudança drástica’ na sua vida só porque você fez uma plástica.

O médico não é mágico

Não adianta você entrar na sala de cirurgia para fazer um ‘lifting’ achando que vai sair de lá 30 anos mais nova e a cara da Angelina Jolie porque isso não vai acontecer. A cirurgia conserta os defeitos e dá uma melhorada no visual, mas depois disso você vai ter que aprender a se maquilar de novo (se fez cirurgia no rosto) ou vestir-se de outra forma para ajustar-se ao novo visual.

Cirurgia plástica não é droga mas pode viciar

A maioria das mulheres normais tem um problema estético, vai lá e conserta. Já outras fazem a primeira e gostam. Aí não conseguem mais parar, cismam de mudar tudo. Tudo bem se for esse o seu caso, mas é como eu disse, não espere que mudando seu visual vá mudar também sua vida num passe de mágica. E por favor, não se torne uma daquelas fissuradas por cirurgia que só pensam nisso.

Minha vizinha, por exemplo, ligou na minha casa depois de aumentar os seios e queria porque queria que eu os apalpasse! Como se já não fosse suficientemente desagradável ter ido lá e ela me mostrar ‘aquilo’.

E tome o cuidado de não começar a ‘receitar’ cirurgias porque é muito desagradável quando alguém diz: ‘por quê você não arruma esse nariz?’ ou ‘por quê não aumenta esses seios?’. A gente até sabe que o nariz é assim ou assado mas está contente (ou conformada) com ele do jeito que está, aí vem alguém nos botar complexo. Muito chato, né? E também é falta de educação e sinal de insensibilidade ficar apontando defeitos nos outros. Não é porque você pensa que cirurgia é o achado do século que todo mundo tem que achar também.

Há soluções alternativas

A cirurgia para mim é uma solução drástica, para eliminar ou consertar alguma coisa que não foi possível eliminar ou consertar de outro modo. Ou seja, acho que sempre é sensato tentar eliminar sua barriguinha ou a celulite com exercícios numa boa academia e acompanhados por um bom professor e uma dieta orientada por um endocrinologista ou nutricionista.

A cirurgia deixa marcas e por menores que sejam sempre estarão ali. Uma colega de banco fez uma cirurgia plástica na barriga. Anos depois fez uma cirurgia para diminuir a cicatriz e depois teve que fazer outra porque houve aderência. Há outras complicações mais graves, e é bom lembrar que se o resultado não ficar legal não dá pra desfazer, só mesmo com outra cirurgia.

Quando a cirurgia é a única solução

Lógico que em casos de acidentes que deformam, mutilam, ou em queimaduras graves, ou ainda em certas doenças congênitas (como goela-de-lobo) a cirurgia plástica é não só útil como fundamental para que a pessoa tenha uma vida normal. Nesses casos os cuidados que mencionei quanto à escolha do médico também são aplicáveis.

Casos extremos

Há uns anos houve uma denúncia de que uma das candidatas a Miss Brasil havia feito nada menos que dezessete cirurgias plásticas antes de candidatar-se. Assim, até eu! Até cirurgia para tirar uma pinta não sei onde ela fez. Tudo bem se ela achava que tinha tantos defeitos assim, mas nesses casos acho que há um exagero, é como se a pessoa só tivesse corpo e só pensasse nele o tempo todo.

Há outras ‘belezas’ que também devem ser cultivadas e ficar o tempo todo obcecada por sua aparência pode demonstrar futilidade e falta de outros valores. Afinal o ser humano não é só uma casca, tem que haver ‘alguma coisa’ no interior também, senão não há nariz lindo da Brooke Shields ou seios da Demi Moore que façam com que alguém goste de você.

Sua opinião

E você, o que acha da cirurgia plástica? É a única (ou a melhor) solução em todos os casos ou você é daquelas que morre de medo até de arrancar dente? Você faria tranquilamente ou morreria de pavor se precisasse mesmo fazer? E se fosse fazer, o que gostaria de operar? No meu caso uma ‘levantada’ na face não ia fazer mal…

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8 Comentários (+adicionar seu?)

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  4. dr. gustavo capobianco
    ago 03, 2009 @ 21:59:11

    hoje em dia as proteses sao muito seguras graças a alta coesividade do silicone, isto é, mesmo se rompidas o silicone se mantém íntegro.
    abraço dr. gustavo capobianco

    Responder

  5. dr. gustavo capobianco
    ago 03, 2009 @ 22:03:50

    o ronaldinho fenomeno de o ponta pé inicial, agora a lipoaspiração masculina vai aumentar muito!!!!

    Responder

  6. Andréa
    set 08, 2009 @ 15:46:06

    Eu acho que é válido quando afeta o lado emocional.

    Responder

  7. Renata (@RenataMattiello)
    abr 23, 2012 @ 00:22:21

    Lendo esta matéria, confesso que é impossível não concordar com os pontos abordados…pois, para termos sucesso em qualquer coisa que pretendemos realizar, é fundamental investigarmos muito antes! Principalmente no que diz respeito ao nosso corpo!
    Afirmo isso com muita precisão porque 6 anos atrás fiz passei por um procedimento estético( plástica/ seio/ abdome/ e…), no qual sou frustrada até hoje.
    Resido em Foz do Iguaçu-Paraná , onde também realizei os procedimentos cirúrgicos citados. E por falta de profissionalismo e honra do profissional ( doutor)…fui internada para possíveis reparos três vezes, e nada era realizado de forma que tinha sido tratado entre paciente(eu) e o doutor.
    Procurei o diretor geral da unidade hospitalar na época e o diretor clínico contendo em mãos todos os comprovantes de internações e procedimentos cirúrgicos que foram realizados e a resposta foi…
    “O médico afirmou que iria me deixar daquele jeito, isto é, ele colocou silicone sem realizar a mamoplastia, no qual o silicone cedeu pelo excesso de pele e caiu…no abdome, fiquei praticamente sem umbigo…e etc. que nem vale a pena comentar e sofrer ainda mais!
    E por parte do diretor hospitalar depois de ver o meu corpo como estava depois dos procedimentos realizados, prometeu uma reparo geral de tudo com a escolha de qualquer profissional que eu quisesse…que ele não iria me deixar daquele jeito!
    Mas, infelizmente se passaram três anos dessa conversa e até hoje aguardo o profissionalismo e a lealdade do mesmo…!
    Caso queira saber o motivo por não tê-los processado o hospital e nem o profissional…é porque na época era estudante de enfermagem e estava no término do curso, pois tentei queria resolver de maneira que não afetasse nenhuma das partes.
    Enfim, atualmente estou com alguns probleminhas de saúde e estou atrás de um bom profissional para amenizar os erros cometidos no meu corpo…

    ( A realização desses procedimentos foi na Unidade Hospitalar “Cataratas” de Foz do Iguaçu). Cujo o profissional ( cirurgião plástico ) não atua mais nessa unidade, mas continua atendendo no mesmo município.

    Um abraço a todos os leitores.

    Deixo este meu testemunho para que todos que quiserem realizar uma cirurgia plástica possam pesquisar e analisar todos os requisitos necessário antes e de preferência solicitar todos os comprovantes atestados e assinados pelo profissional e pela unidade hospitalar também. Pois, não desejo o que passo até hoje ao me olhar ao espelho para nenhum ser humano.

    Ass. Renata Juliano Mattiello

    Responder

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