A ficha criminal

Já existe uma lei segundo a qual se alguém tem aids, por exemplo, esse fato não pode ser alardeado aos 4 ventos. Da mesma forma acho injusto que um ex-presidiário continue com a “ficha suja” mesmo depois de ter pago sua dívida para com a sociedade, depois de cumprir sua pena.

Imagino se não seria mais humano manter essa informação de antecedentes acessível apenas à polícia e ao poder judiciário no caso de reincidência ou de um segundo julgamento, já que o acesso – e mesmo a exigência – de um atestado de antecedentes por parte de um futuro patrão acaba reduzindo as chances do indivíduo reintegrar-se à sociedade.

Todo mundo tem que comer, morar, vestir. Se as portas do trabalho honesto fecham-se, alguns recorrem ao trabalho informal sem carteira assinada, vendendo muamba ou passes de ônibus, sendo considerados à margem do mercado de trabalho já que não têm qualquer garantias.

Outros voltam ao mundo do crime e passam a vida entrando e saindo de penitenciárias. Alguns até preferem ficar presos porque pelo menos na cadeia têm assegurada a comida, teto, roupa.

Naturalmente que nem todos saem da cadeia com a intenção de reintegração social, alguns são reincidentes por pura malandragem ou por um desvio de caráter. Mas seria justo penalizar aqueles que realmente se arrependem de um ato numa hora de desespero, ou fruto da inexperiência juvenil?

Fazer alguém pagar pelo resto da vida com a exclusão social e do mercado de trabalho porque um dia cometeu um erro não seria um “karma em vida”? Karma é tudo o que carregamos de ruim, tudo o que temos que pagar por vivências anteriores segundo o espiritismo. Permitir que o patrão tenha acesso à ficha anterior do candidato a um cargo, onde figurará um crime pelo qual já pagou é justo?

E como fica o patrão nessa história? – poderão perguntar – Como fica o patrão ao empregar alguém que já cometeu latrocínio, por exemplo? E eu imagino que alguém que cometeu um crime que não seja classificado como “hediondo” e que tenha sido considerado pelo próprio sistema prisonal como “apto para ressocialização” tem que merecer um voto de confiança.

Afinal de contas, será que o fato de ter uma “ficha limpa” diz muita coisa a respeito do caráter de alguém? Muitos que hoje têm a ficha limpa poderão estar amanhã nos noticiários por terem cometido um crime bárbaro. Exemplos disso não faltam, temos o caso Isabella, o caso Eloá, e tantos outros, no qual o criminoso era alguém de “ficha limpa”. Portanto a “ficha limpa” pura e simplesmente não é garantia de nada.

Já a ficha suja pode ser uma garantia sim: garantia de desemprego, de discriminação e de retorno ao mundo do crime depois à penitenciária.

Será que o sistema que diz reabilitar os membros da sociedade para respeitarem suas regras estão colaborando para que eles realmente se reintegrem a ela e tenham a oportunidade de ter e de dar aos seus uma vida honesta e digna?

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4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Trackback: A Penitenciária-escola « Words
  2. Trackback: O trabalho como agente reintegrador « Words
  3. fabio alves fontes
    jan 27, 2009 @ 14:00:59

    como faço para obter ficha criminal de

    Responder

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